ENTREVISTA COM HUGO SILVA

Nasci numa família de ourives. Já em criança mostrava bastante interesse pela área da joalharia, tentando – com as minhas próprias mãos – fazer algumas peças ligadas ao ramo. Natural da Ilha do Pico, nos Açores, na altura de escolher o meu futuro profissional, aos 18 anos optei por vir para o Porto para seguir a área de joalharia e cravação no CINDOR, ingressando três anos depois numa empresa da indústria joalheira. Durante quatro anos trabalhei em diferentes empresas, tendo aprendido inúmeras técnicas e desenvolvido os conhecimentos que adquiri no centro. Após ter consolidado a parte da joalharia propriamente dita, senti necessidade de adquirir uma vertente mais conceptual, mais criativa e voltei ao ensino. Na ESAD - Escola Superior de Arte e Design, em Matosinhos, licenciei-me em Design de Produto, tendo-se seguido um tempo de consolidação de competências em empresas do ramo. Com a criação da marca Fraga achei que tinha as ferramentas para iniciar um projeto meu, com a minha própria linguagem e com as minhas criações.

Como descobriu o mundo da Ourivesaria?
Terminou o curso de Ourivesaria em 2009. Considera que a sua passagem pelo CINDOR foi marcante?
Sem sombra de dúvida! O CINDOR foi e é a base de todos os conhecimentos que adquiri. Mais do que isso, o CINDOR foi a minha primeira experiência longe de casa e longe da minha família. Foram três anos de novas experiências tanto a nível profissional como a nível pessoal. Sem dúvida, um dos momentos mais marcantes na minha carreira.

Quando surgiu a sua marca de ourivesaria?
A Fraga surgiu em 2017, juntamente com a necessidade de expressão/ comunicação que me permitem transmitir ao mundo um bocadinho do que sinto, penso, gosto.

Quais as suas principais fontes de inspiração enquanto designer de joias?
As minhas inspirações vêm principalmente de vivências, observações diretas ou indiretas de pessoas, ambientes e envolventes. Tenho sempre em conta estes três pilares: disrupção, intervenção, inclusão.

Quais as matérias primas com que mais trabalha?
A matéria prima com que mais trabalho é claramente a prata. Ocasionalmente, uso zircónias.

Qual a peça da sua marca que considera mais emblemática? Porquê?
A peça que considero mais emblemática é a FR15. É uma peça única em grande escala, impossível de se replicar manualmente e que reflete a marca em todas a suas dimensões. No fundo, não se trata somente de uma peça de joalharia, mas sim um statement.

Como perspetiva a evolução da sua marca?
As minhas ambições passam por ser uma marca de referência internacional perante o meu público alvo.