ENTREVISTA COM JOANA SANTOS

Como descobriu o mundo da Ourivesaria?
Contrariamente ao que acontece nesta área, onde a profissão é seguida por gerações, de minha parte nunca existiu nenhum elo ao âmbito da Ourivesaria. A Joalharia acabou por entrar no meu quotidiano por influência da minha mãe, que sempre teve uma grande curiosidade por peças de joalharia contemporânea. Sempre soube que o meu caminho seria traçado dentro do universo artístico e, após o mestrado em arquitetura, cruzei-me mais de perto com a joalharia e a minha grande admiração pela área levou-me a iniciar, em 2013, a minha jornada de descoberta e aprendizagem.

Considera que a sua passagem pelo CINDOR foi marcante?
Sem dúvida marcante, foi o primeiro contacto com a área. Fiquei fascinada com a possibilidade de criar algo através das minhas mãos, desde a matéria bruta até se tornar uma peça de joalharia. Não existe nada mais gratificante! Para além de toda a formação técnica, foi também o local onde aprendi e cresci através do convívio com professores, colegas e amigos.

Quando surgiu a sua marca de ourivesaria?
A marca Joana Santos surgiu no final do ano de 2015, ainda em formação no CINDOR.

Quais as suas principais fontes de inspiração enquanto designer de joias?
Apesar de não o fazer muitas vezes de forma consciente e propositada, transporto sempre todo o conhecimento e experiência da minha formação inicial para os projetos. As peças criadas revelam sempre uma forte influência da geometria, através do uso de linhas retas, volumetrias simples e jogos de planos.

Quais as matérias primas com que mais trabalha?
A matéria-prima mais usada é a prata, apesar de me interessar cada vez mais pela fusão de materiais nobres com outros não preciosos.

Qual a peça da sua marca que considera mais emblemática? Porquê?
Não gostaria de falar em peça emblemática, mas antes numa peça especial que acho que irá sempre acompanhar-me durante o meu percurso profissional: o alfinete da coleção Ouriço.

Como perspetiva a evolução da sua marca?
O caminho por vezes é traçado de um modo distinto daquele que idealizámos, mas penso que aos poucos pretendo que a marca se aproxime de uma vertente mais artística e experimental, que passará por apresentações e participações em eventos fora de Portugal.