ENTREVISTA COM LUÍSA PEDROSO

Como descobriu o mundo da Ourivesaria?
Ao contrário do que é habitual nesta área, a minha ligação ao universo da joalharia não é familiar, não existe a herança de nenhum negócio de família direta ou indireta, ligado a esta ou a qualquer outra arte similar. A joalharia entrou na minha vida quando, em 2002, me cruzei com a montra da Escola Engenho e Arte, na porta ao lado do colégio que frequentava nessa altura. Com apenas 16 anos era a aluna mais nova da escola e comecei a aprender as primeiras técnicas sem ainda saber da importância e do peso que viriam a ter no meu futuro. A esta seguiram-se vários cursos e formações no CINDOR, a licenciatura e pós-graduação na ESAD , Erasmus na EKA -Tallin e ainda algumas formações e pós-graduação na Universidade Católica.

Já fez cerca de 450 horas de formação no CINDOR! Passou por áreas aparentemente diferentes, mas absolutamente complementares. Em que medida é que essa aprendizagem contribuiu para a consolidação do seu percurso profissional?
A minha primeira inscrição como aluna do CINDOR terá acontecido há mais de 10anos. Neste espaço de tempo e de evolução natural do meu percurso na área da joalharia foram surgindo diferentes interesses e até novas necessidades de aprendizagem. Novos conteúdos e técnicas e até atualização de outras temáticas dentro desta área pela qual sou verdadeiramente apaixonada. A variedade de módulos que fazem já parte do meu percurso dentro do CINDOR refletem precisamente essa evolução e amadurecimento do caminho que eu quis traçar para mim dentro desta área. Nesse aspeto o CINDOR teve um papel fundamental na variedade da oferta e na flexibilidade de adaptação às necessidades que iam surgindo, acompanhando a evolução dos tempos no setor.

Quando surgiu a sua marca de ourivesaria?
A minha marca MEL JEWEL é lançada em Setembro de 2016, mas é uma história que começa a ser contada alguns anos antes desta data. Costumo explicar, que faço jóias há mais de 15 anos mas não é por acaso que só tenho uma marca há pouco mais de 2. Isto porque é muito importante perceber que fazer joias é muito diferente de ter uma marca de jóias. Há uma coisa muito simples, e ao mesmo tempo, muito complexa que separa essas duas coisas, que se chama comunicação. E para dar esse salto eu precisava desse aliado para completar tudo aquilo que já fazia na banca. É aí que aparece a Marta na minha vida, a minha sócia, designer de comunicação, com quem projetei ao milímetro tudo aquilo que hoje é a Mel Jewel.

Quais as suas principais fontes de inspiração enquanto designer de joias?
Enquanto designer de joalharia vou-me inspirando essencialmente no que me rodeia. Seja uma forma que vejo enquanto caminho na rua, uma sombra que determinado objeto projeta, mas, acima de tudo, vou bebendo um pouco do que é a cultura urbana dos dias de hoje, o que a mulher usa, o que faz sentido nos dias de hoje. No fundo vou também absorvendo tendências e adapto-as à joalharia que produzo de uma forma mais permanente. A efemeridade das tendências na moda é algo que não procuro nas minhas jóias. Gosto que as jóias durem uma vida, que passem de geração em geração e que façam sentido hoje como daqui a 20 anos, que sejam realmente uma peça especial.

Quais as matérias primas com que mais trabalha?
Na Mel Jewel trabalhamos as colecções em ouro de 19,2kt ou em prata 925. Todas as peças são produzidas e apresentadas na cor original dos seus materiais, sem banhos que lhes alterem a cor original da liga. Ao sermos fiéis aos materiais que usamos, garantimos uma maior durabilidade das peças. A qualidade do que produzimos é essencial no que fazemos diariamente.

Qual a peça da sua marca que considera mais emblemática? Porquê?
Esta é provavelmente a pergunta mais complicada de responder. É quase como que pedir a uma mãe que escolha o seu filho preferido. É muito difícil. Vou optar por escolher a minha coleção preferida, e aqui diria que é a ELLA COLLECTION, pela tipologia de peças, por serem talvez as que mais uso, pela manualidade e singularidade da produção e até pela sua estética. Numa só coleção conseguimos ter peças absolutamente tradicionais, que vão buscar muito da nossa cultura portuguesa, como os nós em prata, ao mesmo tempo que brincamos a desconstrução desses mesmos desenhos e vamos de encontro a uma estética mais atual e arrojada com curvas mais abertas e abstratas.

Como perspetiva a evolução da sua marca?
Uma marca com apenas dois anos tem ainda muito por onde crescer. Temos uma lista infindável de planos, objetivos e sonhos, demasiados para enumerar. Desde o primeiro dia que a nossa estratégia está muito ligada à presença online e a evolução da marca vai sempre passar por aí, pelo aumento da notoriedade nos diversos meios e redes em que marcamos presença e consequente crescimento da marca. Sabemos que ter uma loja online é ter as portas abertas para o mundo e é aí que queremos chegar. O crescimento da Mel Jewel passará inevitavelmente por aí, é esse o nosso objetivo.

Já foi formanda do CINDOR e é hoje consultora do Centro. Como tem corrido essa experiência?
Acima de tudo é um prazer imenso poder fazer parte do Cindor hoje como consultora. Quando começamos nunca pensamos que um dia vamos estar do outro lado, que de um momento para o outro podemos passar de alunos a formadores. Mas a verdade é que a vida tem reservada para nós oportunidades que nem nós próprios pensamos e novos desafios fazem-nos sempre crescer! Se há 5 anos me dissessem que um dia ia estar em frente a uma turma provavelmente não acreditava... É, claro, uma experiência muito enriquecedora, não só do ponto de vista profissional como também do pessoal!

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